APOENA CONTA SOBRE O PROLONGADO LOCKDOWN EM BERLIM

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APOENA CONTA SOBRE O PROLONGADO LOCKDOWN EM BERLIM


As leis para o controle da variante Ômicron foram rígidas e colocaram em pausa todo tipo de eventos que ‘contenham dança’. Os alemães aguardavam ansiosos a reabertura, que aconteceu na última sexta, 4 de março

No mundo digital, Apoena está curtindo o bom momento de seu EP Dark Emerald, que integrou alguns dos mais relevantes rankings de minimal e deep house do Beatport e do Traxsource. Morador de Berlim — onde passou a morar em 2014 após ganhar residências nos clubs KitkatChrista Kupfer Polygon — este expoente do underground brasileiro na capital alemã está vendo e vivendo de perto a realidade pandêmica que trouxe consequências para a vida noturna de uma das capitais mundiais da dance music.  

As medidas restritivas em Berlim não foram necessariamente leves, colocando em pausa até mesmo, em forma de lei, eventos que “contenham dança” — isto é, os clubs. Embora muitos clubs tenham recebido apoio financeiro do governo durante os períodos mais complexos da pandemia, as regras de lockdown para evitar mais contaminações de COVID-19 determinaram o fechamento total de clubs, com raras exceções para bares onde não se dança. 


Apoena tocando no dia 11 de fevereiro, um dos únicos eventos que rolavam na cidade.

“A comunidade de DJs passa por um momento de depressão. Além disso, quem não sai da cidade no inverno sempre teve os clubs como refúgio para sua vida social. Tem sido bastante desafiador para uma cidade que respira música eletrônica. Entretanto, e finalmente, aqui a perspectiva é de que o processo da pandemia está finalmente acabando. Pelo menos é o sentimento das pessoas, já que a maioria dos outros países da Europa está aberta e a Alemanha acabou se posicionando de maneira mais rígida“, conta Apoena, que aguardava a reabertura dos clubs da cidade, o que aconteceu no dia 4 de março, mas que acabou sendo ofuscado pela guerra na Ucrânia.

Desde novembro, Berlim enfrentava este que é seu terceiro lockdown, tendo anunciado fechamento total de clubs semanas depois de já estarem operando com 50% da capacidade. Após reabertura e um inverno rigoroso, ainda será obrigatório que o clubber mostre teste negativo de covid, independente de ter todas as doses recomendadas da vacina. Clubs como HoppetosseFunkhaus Paloma planejam super-festas de reabertura, enquanto Apoena prepara-se para a próxima edição da sua festa Kosmo, que rola no club Christa Kupfer. 

Pintando um quadro geral da cena alemã em relação à brasileira, Apoena comenta: “Aqui a música eletrônica é a cultura convencional, mesmo as vertentes underground. No Brasil, gostar de música eletrônica é um traço da cultura e da personalidade que um grupo de pessoas compartilha, mas ainda é uma minoria. Não podemos ignorar o momento difícil no Brasil, com a queda do poder de compra e, para a classe artística, é mais complicado ainda. Na minha opinião a vida no Brasil é maravilhosa, melhor em quase todos os sentidos, para o meu gosto, do que aqui. A dificuldade no Brasil é com a parte financeira”

Apoena em Berlim

Diante de uma reabertura merecida para a cena dance alemã após maior controle da variante Ômicron, Apoena aproveita para contar um pouco do seu roteiro predileto por lá: “O motivo de estar aqui é a abundância de clubs. São literalmente centenas de eventos toda semana. Dentre os vários clubs que eu gosto, poderia citar os momentos diurnos no Sisyphos, club que mantém-se aberto de sexta a domingo; as segundas do Kitkat, com a festa Electric Monday); os dias de semana no Watergate, quando abrem apenas a pista menor, mais underground; as quintas do Golden Gate, club pequeno que toca bom house e tech house; além do Hoppetosse, club construído num barco ancorado”.
Apoena está no Instagram e Soundcloud.



 

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