SAUDADE DO DEEP PLEASE FESTIVAL? SE LIGA NA RESENHA COM DIREITO A TRACKLIST!

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SAUDADE DO DEEP PLEASE FESTIVAL? SE LIGA NA RESENHA COM DIREITO A TRACKLIST!


Foram necessários dois palcos e mais de 30 artistas em quase 24 horas de festa para podermos dizer: os grandes festivais estão de volta ao Rio de Janeiro

Separamos aqui algumas das músicas mais quentes e vários detalhes do rolê para você matar a saudade do Deep Please Festival – ou se não foi, ao menos não ficar totalmente de fora.

Como é mágico o dia do Festival… escolher aquela roupa bacana, combinar com os amigos e amigas, dar aquela olhada nos horários que os artistas preferidos vão tocar e, enfim, já naquela expectativa, pegar o rumo da festa. Chegar lá significou muito! Passamos por uma pandemia que nos afastou por tanto tempo e poder reencontrar tanta gente que não se via há tempos… é demais. Somado a tudo isso, ainda as músicas que gostamos, o entardecer mágico, o amanhecer fantástico e aquele sentimento de liberdade… que saudade que dá, né?

Deep Please Festival foi produzido pela agência Sommar e rolou dia 22 de Janeiro na zona oeste do Rio de Janeiro, bem próximo as instalações criadas para as Olimpíadas de 2016. De fácil acesso, o Riocentro dispõe de estacionamento e bastante espaço. Logo na entrada a constatação: Que festão! A loja da marca, Deep Please Store, saudava a todos no caminho que uniu a estrutura gigante que foi montada para oferecer duas pistas de curadorias sonoras distintas. Vale destacar um fator importantíssimo: a acústica de um palco não estava interferindo na do outro. Além disso, você podia mover-se livremente entre as duas pistas e inclusive pegar alguma comida ou bebida pelo caminho – quase sempre sem fila.

Outro ponto positivo é a responsabilidade social envolvida no Deep Please Festival, através do projeto Seja Luz que reúne diversas iniciativas tanto de assistência social quanto ambiental, educacional, de promoção da igualdade e da paz. O projeto  em 2021, mesmo sem eventos, realizou doze ações beneficentes, incluindo o ingresso solidário no Natal e parcerias com os projetos Afroreggae e Segunda Chance. No Deep Please Festival foram várias iniciativas: Um real de cada ingresso foi revertido para o projeto e  foi arrecadado meia tonelada de alimento que será doado a instituições beneficentes. Além disso, as bandeiras – que são marca registrada da Deep Please – e os copos da festa – biodegradáveis – todos tinham mensagens contra o racismo, incentivando o cuidado com o meio ambiente e de respeito ao público LGBTQA+.

A marca Deep Please chega no seu sétimo ano com seu primeiro festival e comprova a vocação de ser um dos maiores eventos do Rio de Janeiro não somente em tamanho, mas em qualidade e conteúdo, como comenta Cleber Junior, sócio fundador e diretor de comunicação da Deep Please: 

“São sete anos de carinho e cuidado que a gente tem com essa marca. No festival nosso foco foi a entrega: a gente queria que os artistas se sentissem em êxtase, a gente queria que o público se sentisse em êxtase, a gente queria que nosso staff se sentisse em êxtase. Foi muito emocionante ver a reação das pessoas com o carinho da entrega de um palco lindo, o carinho de colocar piso no gramado, de ouvir um som de qualidade e sobretudo o carinho na recepção das pessoas.”

E complementa dizendo sobre o propósito da Deep Please:

Quando a gente decidiu fazer o festival, decidimos que a Deep Please seria muito mais que um evento. A Deep Please é social, ambiental,  educativa…. A gente se preocupa com cada detalhe, desde as mensagens antirracismo e de respeito LGBTQA+ nos copos até doação de alimentos e várias outras iniciativas”.



O som começou com um pouco de atraso nos palcos Forget – posicionado no gramado – e Inimigos do Fim – com estrutura coberta no Pavilhão das Artes. A tarefa de abrir o festival coube a dois artistas: Lipy, no palco Inimigos do Fim, e Heloah, no palco Forget. Heloah foi a vencedora de um concurso promovido pela AIMEC RJ – escola de DJs que fica na Barra da Tijuca – que envolveu dezenas de artistas.



Na sequência, Elisa Amaral assumiu os decks e empolgou o público em um set diurno. Enquanto isso na outra pista Ana Olivetti destrinchava seu case recheado de um creme variado antes da chegada de Attractive Noise que assim como Watzgood, conduziu o público através do pôr do sol em um ritual mágico e muito aguardado por todos. A vibração foi geral e a energia poderia ser sentida de longe. A queima de fogos marcou o que já não se tinha dúvida. Tudo poderia acontecer naquele dia.



O fogo também fez parte das performances realizadas no palco e o time de artistas do festival não teria ficado completo sem o espetáculo das performances de dança e arte circense. Um palco colorido e divertido recebeu, além dos DJs, artistas com perna-de-pau, monociclo e muito mais.

O sócio e diretor artístico da Deep Please, Raphael Porto comentou que: 

“Muitos dos artistas que tocaram na Deep Please já tem uma relação muito próxima com a marca. Caso do Chemical Surf, Fancy INC, Meca, do Maz que é residente… O Dubdogz tocou na Deep Please lá no início da carreira e retornou no festival como um dos grandes nomes da cena eletrônica e a sinergia foi sensacional. O palco e a cenografia são pontos fortes na Deep Please, representativo, colorido e cheio de energia assim como a estrutura que oferecemos para o nosso público, que está sempre em primeiro lugar”



Com a chegada da noite, o palco Forget acendeu e seus telões deram o tom da magnitude da festa. Quando Meca subiu ao palco o panorama já estava mudando e ele correspondeu a expectativa do público, assim como Fancy INC que veio na sequência, dois talentos em ascensão na cena eletrônica nacional. Às dez e meia da noite o público já havia curtido vários shows e muitas pessoas ainda estavam chegando  numa pista cheia quando Chemical Surf assumiu os decks com “I Wanna Do” e a multidão explodiu. Os tablados colocados no gramado para prevenir da chuva saltavam junto. Eles sempre tocaram na Deep Please e tem uma relação especial com o público. Esperava-se um grande show e assim foi: Wow, Bubbalicious, My Favorite Song e Hey hey hey fizeram parte do set dos cariocas que ainda tocaram remix de Paranauê. Foi sensacional e ao final o Chemical ainda ficou alguns minutos no palco curtindo com o público cheio de bandeiras e gente sentada no pescoço do outro. Que vibe…



No palco Inimigos do Fim, o início da noite teve Fella – em grande fase – fazendo um back to back com Doug que estava afinado, cheio de músicas próprias assim como Mochakk que veio na sequência. O carioca Awka mostrou um set sério e que preparou toda uma atmosfera mais noturna, entre o house e o techno. Bem pensado pois na sequência veio Tough Art e – uma das apresentações mais aguardadas da noite: b2b entre Rodrigo Vieira e Rod B., – um DJ produtor musical de longa data, residente de Green Valley além de Mau e Tree House de Miami. Outro, o único artista brasileiro residente do Ultra Music Festival, de Miami – junto de Carl Cox e outras lendas no palco Resistance. O repertório incluiu Audioleptika & Housekeepers – Freak; Daniel Kazuo – Technology (Extended Mix); Paco Capel – Smoke (Original Mix) ; Papa Marlin & Bondar – Mama Acid; Javi Colina, Quoxx, Vicente Ferrer & Victor Perez – Everybody Dance Now (Original Mix) entre outras pérolas antes da chegada de Breaking Beatz que conduziu  a pista madrugada adentro



Noutro palco, Dubdogz preparava-se para fazer um show inédito no Rio de Janeiro, como prometido em entrevista publicada poucos dias antes do festival. “Temos uma relação muito especial com o público do Rio de Janeiro”, afirma o duo mineiro que conquistou o Brasil. Para esse show houve uma estreia muito especial além da apresentação fantástica feita pelo humorista Rafael Portugal: Foi a primeira vez que o Dubdogz tocou seu remix oficial da faixa “Lipstick”, de Kungs, coproduzida por Jord. O show parecia sincronizado com a noite em si, tudo fluiu de uma forma muito natural e o público se emocionou com “Beggin” (Dubdogz, Ghostt Feat. Giana), Ain’t No Sunshine (Dubdogz, JORD feat. Jasmine Pace), You Get (Volkoder, Dubdogz) e Dog Days (Dubdogz, Brannco, Rodrigo Luca) para citar algumas. O final foi antológico e marcou um show de gente grande na maior Deep Please de todas e o primeiro festival da marca que mostra ter um público fiel. Bandeiras circulavam na multidão lembrando essa relação estreita com o público. Uma frase do Dubdogz em seu instagram, depois do evento deixou isso muito claro: 

“No Rio de Janeiro é sempre divertido tocar, mas ontem estava demais. Muitos amigos presentes, a vibe tava tão boa que chegamos as 23h para tocar e ficamos até as 10h e não queríamos ir embora”.



Felguk é sem dúvida uma das apresentações mais aguardadas por onde passa e no Deep Please festival não foi diferente. Em dezembro lançou uma coletânea chamada “Felguk Classics” pela Hub Records e foi muito bem recebido. No palco, um show contagiante. Os efeitos visuais em sua apresentação também foram um show à parte. Poucos artistas tem o público cantando junto e Felguk é um deles.



GUILC fez do palco sua casa e ficou à vontade. O artista leva muito a sério o que faz e criou grande expectativa quando ano passado teve sua música “Take my Hand” apontada como a oitava música mais ouvida do Brasil no Kwai. Claro que “Take My Hand” esteve no set, assim como “London”, “Paris”, “Put it on you” e já de manhãzinha “Who my Boo”! Hugo Doche teve o set muito elogiado e Dom finalizou a pista Forget em grande estilo, com o sol batendo forte às oito da manhã. Hora de pegar uma água e conferir a pista Inimigos do Fim.



O residente da Deep Please, Maz, foi o responsável por guiar a experiência do fim da noite até o início da manhã e o fez com maestria e várias músicas próprias. O carioca ainda fez back to back com D-Nox que depois seguiu solo “sendo D-Nox”. A passada cheia de estilo do alemão-brasileiro é amiga e reconhecida pelo público de longa data. Hipnótico, progressivo e melódico, D-Nox deixou sua marca em um momento onde públicos das duas pistas se uniram numa pista só que ainda seguiu até as três da tarde do sábado. Foram sets especiais de duas horas de D-Nox, Volkoder, Fflora e Chapeleiro até que The Pups finalizou.

Deep Please Festival é produzido pela agência Sommar e desta vez foi entregue um evento que começou em uma tarde e terminou na outra tarde. Muita coisa rolou e uma coisa ficou certa: a produção da Deep Please conseguiu expandir sua festa para um festival sem perder seus padrões de qualidade na curadoria, nos serviços de pista, de camarote e infra-estrutura em geral. Os grandes festivais estão de volta ao Rio de Janeiro.

 

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